Todos estavam em silêncio e lágrimas, foi quando entrei na câmara funerária triste de Adalgisa e um forte cheiro de flores exalavam no ar. Aproximei do ataúde o mais que pude, em volta, familiares e amigos com lenços nas mãos e as pálpebras vermelhas e inchadas de tanto chorar, outros com óculos escuros, uma demonstração de perda e dor.
Dentro do ataúde, estava o corpo frio coberto de flores, o rosto a amostra, sereno, a pele já amarelada. Toquei com as pontas dos dois dedos na sua testa e fiz o sinal da cruz. Obedecendo a um gesto secular cristão, que diz: “Ao morrer Cristo lhe receberás na Cruz.” Fechei os meus olhos e orei, imaginei o contraste de vê-la agora, tão brutal, e fiz comparações com o seu rosto belo e feliz nos dias anteriores da sua morte. Estava alegre, cheia de vida, ela bailava ao som da música suave do violino, parecia uma borboleta em festa da Primavera. Todos a olhar e a sorrir, ela era o centro das atenções, estava parabenizando seus quinze anos. Ao dançar com seu pai radiante em noite inesquecível. Sua alegria contagiava a todos, era o seu normal com festa ou sem festa, ela personificava a Primavera.
Nós não conformamos com lucidez este tipo de morte em jovens. È mais fácil aceitarmos a morte de um doente ou de um idoso, porque esses, se morrerem não aceitamos mais como surpresa. O jovem com vigor é mais lamentável a morte do que o doente ou o idoso. Ainda mais em que circunstância a jovem perdeu a vida: Indo para o colégio, ao saltar do ônibus, tiroteio, uma bala perdida. Ouvi-se um impacto no chão, o corpo cai, uma mancha de sangue ao lado da cabeça tombado no passeio. Gritos de dor dos passantes, grupos se formam em circulo ao lado do corpo sem vida. Um tiro fatal pós fim a mais uma vítima da violência urbana. Cena comum nas grandes cidades brasileiras, um atroz acontecimento em que a grande maioria das mortes de jovens vem a ser com armas de fogo. A interrupção de vidas jovens em ato de violência, requer uma analise e debates mais profundo com a sociedade brasileira. São várias atribuições e pouco se fazem para diminuir a estatística nacional. A violência está em choque constante na sociedade moderna. Motivada pelo comércio ilícito de drogas, armas, jogos e prostituição, cada vez mais crescendo, estendendo-se para as pequenas cidades do interior em proporções alarmantes de corrupção. Os fatos estão explicitamente narrados pela mídia e jornais, tendo como fundo de referência a desigualdade social. Até quando vamos conviver com está situação? A vida do cidadão não pode estar em risco pela falta de segurança para viver.
A vítima morre sem saber o porquê morreu e o cidadão vive sem saber se vai viver amanhã. A insegurança e o medo caminham lado a lado do homem na incerteza de viver.
Homem acorde!...Estás perdendo a liberdade para viver, levante à bandeira branca da paz e grite na rua quero viver. Porque só assim, os poderes públicos saberão ouvir a tua voz. E outros dirão: será que somente este grito de insegurança vai sensibilizar as autoridades governamentais? Imaginemos que sim.
Vivemos no país em que pagamos a maior carga tributária do mundo. Pagamos para viver e pagamos para morrer.
Se temos que fazer alguma coisa que façamos agora.
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Álvaro B.Marques
SSA, 11.02.2007
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