segunda-feira, 24 de maio de 2010

O RETRATO

As lembranças nos obrigam a eternizar uma pessoa, viva ou morta. Cada uma na sua maneira de referência. Principalmente quando se trata de pessoa querida, torna-se inesquecível.

Para que tenhamos bem perto de nós, colocamos teu retrato na moldura, perpetuando-se a imagem, dando convivência, familiar.

Quando perenizamos um falecido, também tomamos essa atitude, tão natural do ser humano. È uma confirmação, compreensível de um desejo do vivo em não querer esquecer o morto. Porém, existem pessoas que não aceitam a morte, chegam a fantasiar o morto em vida. Esquecem que a morte é para todos, é um cumprimento natural da vida. Sei que nem todos aceitam essa máxima.

O Retrato nem sempre é a cópia do original, isso nos faz crer que a verdadeira imagem fica armazenado em nossa memória; as coisas, os fatos, os lugares etc... Tudo isso vai ficar no passado, mas O retrato sempre ficará no presente.

Leia-se o que diz esse poema:

Que afeição é está, meu Deus !

De dia tenho na lembrança

De noite sonho com a imagem.

È um tortura, meu Deus!...

Peço-te, apagar as lembranças.

E devolver meu sono.

Já que eu não posso tê-la

Melhor esquecer do que

Lembrar no sofrer.

Álvaro B.Marques

SSA, 13.07.2006.

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