segunda-feira, 24 de maio de 2010

O MORIBUNDO


A morte veio caminhando dentro de mim

nada fazia impedir a sua marcha fúnebre.

O câncer

devora tudo que é vida, será fatal

a um corpo já exaurido.

Meu corpo em horizontal

no leito frio da espera final.

Grito em silêncio...

Retarda morte...retarda mais por favor!

Pra que eu possa sentir no viver um pouco mais essa dor.

Enrije o corpo astro da vida

Segue uma nova regra

Um novo chão me espera.

Meus olhos cerrados

Vejo filme, coisas da minha vida.

Cenas, alegres, tristes e muito mais pra fazer

e muito menos que fiz.

Deixo o corpo levo leveza

No espaço fluido da diorama universal.

A morte alí iguala a todos.

O pedreiro apressou-se.

Encheu a boca da prisão com tijolos velhos e barro fresco.

Alisou-a, recebeu as capelas.

O ÚLTIMO ADEUS.

Álvaro. Marques

SSA, jun. 2006-06-08

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