A morte veio caminhando dentro de mim
nada fazia impedir a sua marcha fúnebre.
O câncer
devora tudo que é vida, será fatal
a um corpo já exaurido.
Meu corpo em horizontal
no leito frio da espera final.
Grito em silêncio...
Retarda morte...retarda mais por favor!
Pra que eu possa sentir no viver um pouco mais essa dor.
Enrije o corpo astro da vida
Segue uma nova regra
Um novo chão me espera.
Meus olhos cerrados
Vejo filme, coisas da minha vida.
Cenas, alegres, tristes e muito mais pra fazer
e muito menos que fiz.
Deixo o corpo levo leveza
No espaço fluido da diorama universal.
A morte alí iguala a todos.
O pedreiro apressou-se.
Encheu a boca da prisão com tijolos velhos e barro fresco.
Alisou-a, recebeu as capelas.
O ÚLTIMO ADEUS.
Álvaro. Marques
SSA, jun. 2006-06-08
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