segunda-feira, 24 de maio de 2010

LUCAS, O BANDOLEIRO DE FEIRA DE SANTANA

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Em feira de Santana, cidade do interior da Bahia a “Princesa do Sertão”. Foi berço do famigerado Lucas Evangelista, conhecido como Lucas de Feira. Cujo nascimento deu-se em 18 de outubro de 1807. Lucas, terrível salteador de estradas vicinais a Feira de Santana, conhecido por seus crimes durante vinte anos foi o terror daquela cidade, roubando, violentando, assassinando e perseguindo cruelmente quantos lhe caíssem nas garras e para isso contava com a malta de que era chefe, respeitado e de muita coragem. Conta-se dele episódios interessantíssimo pela sua excentricidade dentre os quais citamos abaixo: Um curtidor levava para a feira uma carga de chicotes para vender; o Lucas viu o elemento e chamou dizendo-lhe: ”Ah! Levas chicotes que vão servir para castigar os meus parceiros! Pois bem; arrei isso aí” E, tomando os chicotes, deu uma tremenda surra no curtidor, usando cada um dos chicotes, dizendo-lhe: É para quando lhe perguntarem se os chicotes são bons, você poder garanti-los.”
Outro episodio de sua barbaridade; Voltava da feira (as feiras na cidade se realizavam no segundo dia da semana) um pobre diabo, Manoel Nunes, trazendo uma bolsa de moedas o resultado da venda que fora fazer. Lucas salta-lhe a caminho, exige-lhe o dinheiro, e como visse que o Nunes tinha o beiço inferior muito desenvolvido, dera-lhe na idéia de pregar o beiço do Nunes, e tira do bolso um prego e prende o beiço na madeira. Este, temeroso de causa mais grave, ao afastar-se de Lucas, força o beiço a largar-se do prego, o que aconteceu, ficando-lhe uma fistula no beiço.
Lucas era filho de africanos, tinha quarenta e um anos, era alto, de ombros largos, musculoso, rosto alongado, barbado, olhos grandes e desdenhosos nariz chato, boca grande, peito cabeludo, orelhas pequenas, assim como os pés e mãos. Preso por José Pereira Cazumbá foi sentenciado pelo júri de Feira de Santana a pena de morte e executado na força no largo do Campo do Gado em 25 de setembro de 1848. A caveira de Lucas encontrava-se no museu Abbot da Faculdade de Medicina da Bahia para estudos dos investigadores criminalistas. ( Fonte do livro: Álbum Popular Brasileiro – autor: Afonso Costa – págs.81/83)
VEJAMOS OUTRA VERSÃO DA HISTORIA DE LUCAS DE FEIRA.
Lucas era um negro e escravo. Em 1828 ele fugiu do seu senhor e organizou, com outros escravos fugitivos chamados; Floriano, Nicolau, Bernadino, Januário, José e Joaquim. Formaram um bando em 1848, infestou as grandes estradas que conduzem a cidade de Feira de Santana, então simples vila. Durante vinte anos estes bandidos cometeram crimes de toda a espécie. Mantinham a pacifica população da vila presa a tal terror. Quando em 1844, o bandido Nicolau foi morto pelos policiais que o perseguiam e sua cabeça trazida a cidade, se celebrou o acontecimento com verdadeiras festas públicas, que foram renovadas e duraram três dias, quando o Lucas foi aprisionado.
Lucas o chefe do bando, era filho de Ignácio e Maria, ambos africanos. Quando foi preso, tinha a idade de quarenta anos. De acordo com o processo verbal de reconhecimento de sua identidade, ele era: “Negro, grande espadanada, corpulento, o rosto comprido, barbado, os olhos grandes e ferozes, o nariz achatado, a boca grande, o peito peludo, as orelhas pequenas, como também os pés e as mãos; faltavam-lhe no maxilar inferior um dente incisivo e alguns molares esquerdo; era canhoto e tinha uma cicatriz na mão esquerda que se supunha produzida por arma de fogo”
Lucas foi preso em 28 de janeiro de 1848, confessou todos os seus crimes, condenado a morte, foi enforcado em 25 de setembro de 1849, na vila de Feira de Santana.”
Daí então, o autor desse depoimento Nina Rodrigues, médico perito em anatomia legista, faz os exames do crânio de Lucas e comparações do tamanho de outros crânios de negros e diz: “O crânio de Lucas, ultrapassa vantajosamente os outros quatros crânios de negros com os quais o comparamos. A capacidade sobre tudo é excelente”.
Lucas confessou nos seus interrogatórios haver assassinado mais de vinte pessoas, roubando a mais não querer, raptado e violado mais de seis moças, etc.
Na continuação do laudo de Nina Rodrigues: “Lucas era realmente um negro superior; tinha qualidades de chefe, na África talvez tivesse sido um monarca ou um grande guerreiro. Há traços de generosidade na sua atitude diante de outros negros que tinham situações de misérias, ele ajudava-os.” (Fonte do livro: As Coletividades Anormais” – autor: Nina Rodrigues – 1939.)
Havia na vila indivíduos de alta categoria, que negociavam os roubos do bandido, com grandes vantagens. No interrogatório que fizeram, ele não comprometeu seus cúmplices. Negou todos os fatos que pudessem denunciá-los, sabia que seus dias estavam contados mas jamais trairia aqueles que outrora o haviam ajudado.
Dizem que Lucas, embora fugitivo, teve sempre atenção para com seus senhores, e jamais os assaltou. Declarou que só havia assassinado aqueles que o perseguiam ou aqueles que se dizendo seus amigos, o tinham traído.
Lucas aplicou muitas vezes a pena de talião. Um chamado Francisco, que ele julgava seu amigo ameaçou denunciá-lo; Lucas assassinou-o, cortou-lhe a língua e arrancou-lhe os dentes.
Quando afirmava que só tinha assassinado aqueles que o traiam, parecias-lhe que se tratava de uma ação perfeitamente lícita e natural. Ele afirmava que atacava de preferência as pessoas que não eram da vila; porque, dizia não os conhecer. A vila e seus habitantes representavam para ele sua pátria, sua tribo, seu clan; os outros não eram mais do que estrangeiros em face dos quais ele não se julgava obrigado a ter considerações. Era um selvagem domesticado que tomou pra si toda a liberdade de suas atitudes. Era um escravo livre sem ser livre fazendo as suas próprias leis. Era um Robin Hood em versão brasileira. Fazia-se respeitar como líder e esperava a traição há qualquer momento. Seu nome não virou lenda porque seus companheiros cativos passaram por sofrimentos iguais ou piores nas mãos dos seus senhores. Mas sua fama criou outros Lucas em várias regiões do Brasil escravocrata.
N.B.: História verídica.
Álvaro B. Marques
SSA, 25.11.2009

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