quarta-feira, 26 de maio de 2010

O SERTANEJO

"O sertanejo é homem susceptível ao fanatismo, seja ele edeológico ou religioso; por consequente, não refrea seus sentimentos, e reflexos como o homem que trabalha na capital.
Homem branco, aprende cedo, a amar o seu extremado rincão, e retirar dele, o seu sustento e dos familiares. Sua escola é a orientação que lhe é transmitida pelos pais; seus livros são os instrumentos de trabalho rústicos para arar a terra adubar e fazer brotas a semente da vida. Homem feito ao campo, ao ar livre da atmosfera, ao sol abrasador que castiga a terra calcinada, o sertanejo enfrenta com galhardia, e sofreguidão, as intempéries, só abandonando o seu chão, em caso extremo de sobrevivência, na ápice do flagelo da seca.
Sua casa é erguida em meio a campina, rústica mas acolhedora, vivendo em função da família, faz do seu lar um tesouro adorado.
Desperta de sua rede ao alvorecer, com o canto mavioso da passagarda, em ruidoso trinado. À tardinha, no regresso do trabalho, o camponês alquebrado, contempla o painel do mirífico, crepúsco, prenunciador da chegada da noite. É a hora da meditação, do recolhimento espiritual, da oração do trabalhador, da Ave-Maria e dos santos de sua devoção, na veneração de Deus misericordioso.
A noite, ao adormecer, a aragem campeste embala-lhe os seus sonhos em doce afago. Lá fora, o manto da noite estende os seus véus ao firmamento, e a lua e os astros, pendentes da abóbada celeste em fulgurantes cintilações, velam o sono do camponês."

Note bem: A narrativa acima escrita por mãos camponês, retrata o que foi o homem no sertão nordestino. Hoje é raro existir o verdadeiro sertanejo mas encontra-se o mesmo sertão agreste com suas dificuldades. O chão não muda, o homem é que faz mudar de vida.

 Álvaro B. Marques.

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