terça-feira, 25 de maio de 2010

O HOMEM MULHERENGO NO TEMPO DA REPÚBLICA


Seu nome Maciel Monteiro da Chagas Filho, nasceu no período entre à Regência e o segundo Império. Filho de pais portugueses cresceu feliz, entre plumas e o burburinho da capital do Império, Rio de Janeiro.
A natureza concedeu-lhe bons destinos. Deu-lhe talento, riqueza, cultura, elegância, uma educação esmerada lubrificante infalível das boas maneiras, que tudo ajeita e tudo consegue na vida. Foi talvez o homem mais feliz e o mais sortudo do seu tempo. Formou-se em Direito pela Faculdade do Recife e teve altos cargos públicos no decorrer da sua vida. Mas o traço predominante de sua vida é o galanteio. Foi principalmente o homem das mulheres, o incorrigível cortesão das saías. Essas qualidades que constituíram, certamente, o seu principal defeito em caráter, isto ninguém lhe nega.
Maciel Monteiro teve no período mais intenso do romantismo nacional ( era um bom orador ) a façanha do mais sedutor dos brasileiros, comparado ao francês Belchior cognominado o “ Belo Blumel “ o homem que conquistava mais de cem mulheres ao dia.
Maciel impressionava as mulheres à primeira vista. Não tinha essa beleza máscula que faz bater repentinamente os corações das mulheres. Mas tinha o quê natural sem que elas saibam o porquê. Sem ser bonito, não havia nele nada que à primeira vista se pudesse apontar como defeito; estatura mediana, rosto sem barba, com as costeletas da época, testa larga, queixo fino, boca pequena e carnuda, olhos verdeados, nariz de boa formação, cabelos lisos, reluzente, partido em partinha ao lado direito. Tudo isso sob prestigio de roupas elegantíssima, talhadas ao primor da moda que fazia os requintes do seu corpo atlético. A sobrecasaca, as calças de vinco impecável, a gravata de três voltas, o colete branco, os sapatos de verniz e o chapéu alto de seda lustrosa e o inseparável monóculo. Tudo isso, aliado a melhor maneira de polidez e atitudes cortês e fidalga.
Quando certos homens nascem com esses dons, são sempre um perigo para as mulheres e um grande ciúme para outros homens. Não havia mulheres que não caísse nas suas lábias. Ele próprio afirmava que tinha os dedos calejados de tanto levantar saías femininas. Afirmação dita por lábios cínicos. foi esse o fator mais decisivo dos sucessos amorosos do “ cancioneiro advogado” como era conhecido da nova República.
Ele dizia na roda de amigos: “ Quem não for cínico não seduz mulheres, não terá nunca um longo rol de amantes. A mulher será sempre a complexidade, a concubina. O que é defeito para os homens sinceros são para elas virtudes. Os homens puros nunca tiveram a corte feminina. Um ligeiro traço de canalhismo dá ao paladar feminino, um quê de picante, excita e as arrasta. O verdadeiro conquistador de saías revela-se um eterno canalha. Tem que ter seu jeito original de comunicação, mesmo quando a dama repelia, merecia respeito e veneração. Deixa a maledicência á sorte de seus amores. A vitória é certa. Não há homens que valham tanto para as mulheres como os homens que as mulheres disputam. A melhor propaganda de si é a fama de seus triunfos. Abriam-se então as portas das alcovas mais fechadas, o cortinado dos leitos proibidos”.
Não teve filhos, com o seu ímpeto para a mulherada criou-se fama de não família. Foi uma vida dispersiva, frívola. Passou-a nos salões de bailes, entre espuma de champagne, ao lado de cocotes, e nos camarins mais luxuosos, como não bastasse era assíduo nas alcovas das atrizes formosas.
O tempo passando e ele esquecendo o tempo, a idade avançando e ele sentindo-se jovem. A fortuna deixada para ele, de seus pais, foi diminuindo e ele não repondo. Quando a realidade veio à tona, já não tinha mais forças para reaver o que perdeu. Foi um colapso o que sentiu. O medo de ficar pobre, a imaginar sem suas roupas caras, a perda da sua magia com as mulheres. Levou a tomar uma atitude de morte. Já não tinha mais razão de viver. Embriaga-se cada vez mais e os amigos afastam-se, deixando-o na miséria. De sua beleza física só restava em seu corpo os velhos farrapos. As moradas luxuosas foram trocadas por abrigos de indigentes. Esquecido e amargurado esse foi o seu fim.
Esses foram os comentários que faziam os homens cultos da época. Quando ficavam em rodinhas em salões de bailes sob Maciel Monteiro da Chagas Filho.
( Fonte extraída do livro: “ Bahú Velho” – autor: Viriato Correia – pub. em 1927 SP)
OBS: Mantido o texto original do livro. Está é uma História verídica.
Meus Comentários: Muitas pessoas não suportam o peso da mudança brusca em que a adversidade da vida coloca, não estão preparados. Maciel Monteiro teve a facilidade em adquirir tudo facíl fez ignorar o lado difícil da vida ou simplesmente não quiz ver. Se a mente erra  o corpo paga por não saber. O perfil de Maciel Monteiro é igual a centenas de outros da nossa realidade. E serão de vários outros no decorrer dos tempos.
Álvaro B. Marques
SSA, 20.08.2005

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