quinta-feira, 27 de maio de 2010

UM HOMEM, O AMOR E O CORAÇÃO

Fiz a caminhada longa, nesta manhã. Pensando em tantas coisas que me surpreendeu em passar em lugares aonde não queria ir. Ia a toa, a cabeça trabalhando nas minhas meditações sobre minha vida, sem grandeza, sem grandes acontecimentos, sem revoltas, mas com muito amor por tudo que possa parecer simples, belo, real, afetivo. Dei asas aos planos da minha imaginação. Parei, ouvi os pássaros da jaqueira bem próxima. Cantavam a solto, os canários e os sábias que dormiam no quente dos seus ninhos, acordavam satisfeitos com a vida. Não havia mais meninos de alçapão em disputa com outros para quem pegar mais.
Fui pra casa, cheguei cansado.
Não queria ficar sozinho, os meus pensamentos se aproveitavam para se expandir e eu não queria mais pensar em tristezas. Fugia do pensamento da morte. Deus é uma consolação que me embala para a vida. E eu faço tudo para estar preso a terra como um pé de mato.
Tudo triste como se não houvesse aquela alegria de uma manhã magnífica de sol e beleza dos verdes do campo. Oh! Luz que cega!... Que contraste da escuridão!... Bate coração, bate mais, mostre a minha dor. Há no meu peito uma porta a bater continuamente. Onde a esperança jaz morta e o coração a bater doente. Passo o dia e entra a noite e ouço o mesmo pulsar. São tristezas entrando e as alegrias saindo. Bate coração, não pare, por favor. Quando resolver parar já não sente mais amor.
Não quero acostumar a gostar de sofrer. Liberta-me coração dessa mágoa e volte a compassar com as alegrias de viver.



Álvaro B. Marques
SSA, set. 2009

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