No entender do ex-diretor do Teatro S. João, Silio Boccanera Jr. Ao comentar com um amigo o descaso do governo em referência ao progresso para a cidade de Salvador no inicio do século 20.
“ O governo de hoje é outra direção. Graças a ele temos à cidade sem asseio, as ruas esburacadas sem calçamentos, sem higiene, o viaduto arrebentado, servindo de sentina, as bocas de lobo garantindo a peste bubônica. O Theatro S. João acabou. No seu lugar o governo mudou pra lá a “Caixa Econômica Federal” e o Monte do Socorro, que funcionava na frente do Theatro e fez dos fundos do palco nos camarins e em outros lugares deposito de materiais de construção. Não procurou reformar o Theatro uma casa de cultura, paralisou o seu funcionamento. Por aí, você veja a importância que os homens do governo em nossa terra ligam para as coisas de Arte! O tempo deles é mais para a politicagem!...E o outro amigo diz: “ Já no meu tempo não havia bonde elétrico, não havia luz, não havia ascensor elétrico (elevador) nada elétrico na Bahia. Era o tempo das “cadeiras de arruar” e dos enterros à noite nas igrejas. Como também, das boticas, das sanguessugas, das sextas-feiras do Bonfim e das festas da Lapinha. Ainda o Campo Grande, não tinha o Monumento da Independência, nem se sabia o que era telefone nem mesmo se falava em jogo de bicho. O povo vivia aqui de poesia, música, Theatro, letras e artes. Todo o tipo de trabalho era o escravo a fazer e o senhor a mandar.
Lembro, eu era menino, os barbeiros eram quem rançavam os dentes da gente! Ah! Que tempo, já vai longe!... Tudo acabou! acabou tudo... E como bastasse tantas desgraças, ainda aumentam os preços da carne verde, farinha, assuçar, feijão toda semana. Tá ruim viver! Vida amargurada...”
N.B.: A Caixa Econômica Federal e o Monte do Socorro desocupou o Teatro S. João no dia 18 de novembro de 1907, instalando-se então, em edifício próprio.
(Fonte extraída fielmente do texto do livro: MIREM-SE NESTE ESPELHO) “ comédia de costume em dois atos “- peça de teatro. Autor: Silio Boccanera Jr. – pub. Em 1909 Bahia.
MEUS COMENTÁRIOS:
O Teatro S. João foi o berço e a gloria da Arte Cênica da Bahia, nele foi revelado o grande ator baiano Xisto Bahia. Vamos acompanhar a narrativa de Carlos Torres no seu livro: “ Vultos, Fatos e Coisas da Bahia.
“ Eram dois Teatros que atraíram as maiores e melhores companhias, conjuntos e grupos que visitaram o Brasil, o S. João e o Politeama. O S. João era de linhas arquitetônicas elegantes, ricas instalações e magnífica acústica. Localizado na Praça Castro Alves, aonde o mesmo passou grandes momentos neste Teatro, como também, Carlos Gomes, Ruy Barbosa, e as maiores personalidades artísticas e vultos pátrios, tendo tido existência célebre ligada á história do país em companhias memoráveis. O Teatro São João, foi fundado por D. João VI. Foi inaugurado a 13 de maio de 1812 – por D. Marcos Noronha e Brito ( 8º Conde dos Arcos ). Depois de um século de bons serviços as Arte, desapareceu no incêndio em 1922. O São João, foi criminosamente destruído por incêndio, fato que consternou e trouxe preocupações aos espíritos cultos da nossa terra.
Teatro Politeama ou Politeama Baiano – Inaugurado em 1882. Demolido na terceira década do século XX. O Politeama, era amplo, arejado e que abrigara também notabilidade das Artes, Letras e da Política. Ironizavam-no com o titulo de grande "barracão".
O Politeama pertencia a uma sociedade anônima, por motivo de sua dissolução, por ironia, também o destino, fora demolido. Construindo-se no local o modelar estabelecimento de ensino, o Instituto Feminino da Bahia. Os dois templos tiveram seus momentos áureos das suas existências, fora o decorrido com a guerra de 1914. Em que a velha Europa se encontrava ardendo em chamas. Período em que as grandes companhias fugiam de lá e se apresentavam aqui ou melhor nas Américas, onde se exibiram as melhores peças e viveram entre nós.”
“O teatro representou uma época de nossa História Colonial, e nenhum outro em tais condições de inestimável valor tradicional, possui mais o Brasil.
Sobre o pretexto de aumentar a instalação e embelecer a praça Castro Alves o governador do Estado, já por diversas vezes, manifestou-se em demolir o Teatro São João. Passou Edital da Secretaria da Agricultura, Viação e Obras Públicas, de 19 de julho de 1920 foi aberto um concurso para a apresentação do projeto e reforma. Constituiu-se em prêmios para aqueles que melhor projeto fosse apresentado em 1º lugar ganhou o engº civil Filintro Santoro.
O Teatro São João de arquitetura estilo Luis XV, o primeiro em estilo levantado no Brasil. Nesta sala de espetáculos, elegante e austero, foram glorificados em 2 de julho de 1849 o general Labatut, que preparou a vitória brasileira de 1823. Em 7 de setembro de 1867 o poeta Castro Alves na primeira apresentação de sua peça “Gonzaga” e em 25 de maio de 1880 o maestro Carlos Gomes, quando da primeira apresentação de sua ópera “Salvador Rosa” por ele mesmo regido.
Desapareceu em um incêndio em 1922 quando fazia obras de restauração. Silenciou assim o grande palco das glórias de saber da nossa História.”
( Fonte do livro: “ Bahia Históricas “ – autor: Silio Boccanera Jr.)
“ Em 26 de dezembro de 1551, deu-se principio no reinado de D. João III, sendo governador da Bahia Thomé de Sousa, a edificação da Igreja de Nossa Senhora da d!Ajuda, que está situada à duas léguas distante da Villa de Porto Seguro.”
(Fonte do livro: “ Bahia Histórica” – autor: Silio Boccanera Jr. Publicado em 31 de dezembro de 1920/BA.)
FATOS MARCANTES DA ÉPOCA
“ Foi a vinda do célebre naturalista Charles Darwin à Bahia em 1832, onde fez vários comentários sobre o clima, vegetação, formação de superfícia, vales e animais em que o mesmo encontrou em nosso território e comparou com outras regiões do país. Sua passagem foi curta, porém, quase desconhecida pela maioria da população.” ( Fonte do livro: “Bahia Histórica” – autor: Silio Boccanera Jr.)
Álvaro B.Marques
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