segunda-feira, 24 de maio de 2010

MÃOS

Mãos que fizeram-me nascer e despertar no primeiro choro e o primeiro banho.

Mãos que deram-me o primeiro alimento.

Mãos que seguraram meu corpo e embalou-me para dormir.

Mãos que ajudaram-me a segurar à mamadeira, a chupeta e os brinquedos.

Mãos que vestiram-me e guiaram-me nos primeiros passos.

Mãos que mostraram-me como fazer o sinal da cruz, rezar a Ave-Maria e com as mãos postas pedi a Deus por todos nós.

Essas mãos já não mais existem.

Ficaram as mãos que constroem, matam, condenam e absorvem com as letras.

Mãos que acariciam e faz plantar na terra o alimento do amanhã.

Mãos que vão de encontro a outras mãos, no gesto universal, no abraço, na dúvida e na certeza de ser amigo.

Não sendo pouco, tudo isso, as mãos são fundamentais para os exercícios do dia a dia em movimentos constantes de sobreviver.

Mãos que fazem parte de um complexo corpo humano que o Criador fez para aperfeiçoar sua obra.

Mãos que fazem falta quando não temos e quando temos não damos a superior importância.

Mão que abençoa no gesto de Fé em Deus nas alturas e no ar desenha a cruz da esperança.

Álvaro B. Marques

SSA, 17.09.2008

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