sábado, 22 de maio de 2010

ENIGMA


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Hoje é um dia como outro qualquer, um mês como todos os meses, um ano a mais de complemento no calendário da vida. Os que nascem os que vivem e os que morrem.
Quando na solidão da noite, sinto um vazio em meu peito. Como se fora uma grande saudade, acompanhada de dor. É um sentimento estranho de perda. Tudo faz crer que é o passado dentro do presente. Sinto falta de uma mulher querida que vivêramos anos de amor e paz. A falta de amizade de carinho verdadeiro sinto agora.
Não sei o teu nome, nem rosto imagino ver. Só sei que sinto um amor passado em minha vida. Muito além desta encarnação na qual estou vivendo. Compartilhei com ela os melhores e os piores acontecimentos, sofri e chorei pela tua partida que a morte me arrebatara. Sei que algum dia vou encontrá-la para continuar o amor que tão bruscamente foi interrompido. Só peço a Deus que nos dê este direito de mais uma vez vivermos juntos e pagarmos erros das nossas vidas anteriores.
Quero a paz no silêncio, quero a luz na escuridão. Quero vê a estrada e caminhar, quero seguir um rumo aonde eu posso ser eu mesmo. Fazer acreditar na própria vida, sorrir e chorar livre. Pensar, criar e realizar é tudo que desejo. No momento tudo está distante, eu no vazio. Eu queria estar em um lugar aonde tudo fosse verdadeiro que não houvesse a reprodução e o ser fosse um simples elemento, bem elementar como todas as coisas que nos rodeiam. Eu queria fazer parte também como elemento. Não haveria o fator tempo a cor a desigualdade. Tudo seria igual transparente, pós só assim a vida seria eterna.
Álvaro B. Marques
N.B: Está narrativa é cópia do artigo “Enigma da lembrança” que eu escrevi em 19/01/1974

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